Caco Barcellos participa do Frente à Frente da TVE

O jornalista Caco Barcellos foi o entrevistado do programa Frente à Frente da TVE desta semana. A bancada de entrevistadores foi composta pelo apresentador do programa, Flávio Porcello, da jornalista da RBSTV, Luciana Kraemer, de Elmar Bones, da Já Ediitorias e de Andrei Rosseto, que trabalha na TVE. Além desses profissionais, estudantes de jornalismo, classificados por Flávio como “a próxima geração”, assistiam a gravação direto do estúdio. Os telespectadores puderam interagir com o entrevistado através de telefonemas e e-mails enviados à produção do programa.
A conversa iniciou com o depoimento de Elmar Bones, que foi quem empregou Caco em seu primeiro trabalho dentro de uma redação. O jornalista que hoje é correspondente da Rede Globo em Paris foi apresentado a Elmar como um garoto tímido que “fazia um jornal para a comunidade hippie”. Aos vinte e três já trabalhava na seção de política internacional ao mesmo tempo em que era motorista de táxi.
O fato de ter sido motorista de táxi o auxiliou bastante a seguir a profissão de jornalista. O antigo taxista disse que conviver com diversos passageiros “acostuma o ouvido”, já que já é característica dessa profissão a conversa entre o motorista e quem solicita o transporte. E foi a partir da descoberta dessa profissão paralela de Caco que o então secretário da redação, Elmar, propôs ao duplo-trabalhador a composição de sua primeira grande reportagem que tinha como tema a rotina dos taxistas.
Hoje empregado em uma das maiores redes de televisão do mundo, o jornalista mantém sua personalidade e característica presentes desde o início de sua carreira. Definido pelo apresentador do programa como aquele que “olha aqueles que ninguém vê”, Caco procura sempre produzir matérias a partir de um olhar mais social e não tão explorado pela imprensa em geral. O livro “Abusado” é um exemplo completo de todo conceito que o repórter tem do jornalismo. A produção relata a vida de um cidadão chamado Juliano que tem estreitas relações com o tráfico.
Para produzir esse livro, Caco Barcellos conviveu, se comunicou e estabeleceu uma relação de confiança com o traficante e sua família. Procurou contextualizar e sintetizar a vida de quem vive na favela e diz que não via maldade nem falta de caráter nisso. Amigos jornalistas o alertavam que a relação com um criminoso poderia ser perigosa e, para se defender, argumentava com certa segurança: “será que não seria a mesma situação de ilegalidade ou falta de caráter se eu estivesse entrevistando ou redigindo algo sobre Pc Farias ou sobre o juíz Nicolau?”. A questão, para Caco, não seria os motivos que tornavam o entrevistado um criminoso, mas sim sua posição social.
O repórter que cobriu todas transmissões sobre o atentado aos trens de Madri para Globo acredita que é a “arrogância da maioria dos jornalistas que forma a barreira entre os cidadãos de baixa renda e a imprensa”. Caco defende que a média da população brasileira é composta por pessoas de baixa renda e que vivem em um contexto social que não é explorado pelos meios de comunicação. Por isso, procura dar ênfase a essas realidades inexploradas e a seguir informando a partir de suas competências adquiridas desde os tempos de taxista: a sensibilidade, o poder da conversa e a facilidade de relatar fatos.

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